
Tanto o livro como os filmes contam a seguinte história: Devdas é um jovem de uma rica família Brahmin da região de Bengali (leste da Índia) do início do século XX. Paro (ou Parvati) é uma jovem moça de uma família bengali de classe média, da classe dos comerciantes. As duas famílias vivem numa pequena cidade da região, onde Devdas e Paro crescem juntos, mantendo uma forte e duradoura amizade desde a infância.
Devdas, entretanto, sai da cidadezinha e vai morar em Calcutá a fim de terminar seus estudos (nas versões atuais dos filmes, a cidade passa a ser Londres). Ao retornar para a cidade natal após 13 anos fora, Paro – sua amiga de infância – espera que sua família case-a com Devdas, devido à amizade entre as famílias e ao amor platônico sempre existente entre os dois. Claro que, de acordo com os costumes hindus, os pais de Devdas não aprovam a união, uma vez que a família de Paro é de uma casta inferior. Assim, para demonstrar seu status social, a mãe de Paro encontra um marido para a filha mais rico do que a família de Devdas. Quando Paro descobre sobre seu casamento arranjado, ela sai à procura de Devdas para que ele possa tomar sua mão em casamento, impedindo que ela se case com o outro homem. Devdas, ao procurar o pai para comunicar seu casamento com Paro, ouve de sua família a mesma resposta dada à mãe de Paro.
Desesperado por saber que seu futuro com Paro mão é permitido, Devdas volta a Calcutá e, de lá, escreve uma carta a Paro, dizendo que eles somente poderão ser amigos nesta vida. Depois de alguns dias, entretanto, ele percebe seu erro e volta à sua cidade. Qual a surpresa quando, ao conversar com Paro, descobre que seu casamento com outro homem já está em andamento, revelando Paro que a covardia e a fraqueza de Devdas fê-lo perdê-la para sempre. Ela, no entanto, faz um último pedido a Devdas, de que ele voltará para ela antes de morrer. Devdas promete voltar e parte novamente a Calcutá.
Paro casa-se então com um homem viúvo e já com um filho. O homem revela a Paro que o casamento realizado ali foi apenas uma formalidade, pois seu amor ainda existia por sua primeira esposa e seria impossível que ele pudesse amar Paro.
Em Calcutá, Devdas re-encontra seu amigo Chunnilal, que o apresenta a uma cortesã chamada Chandramukhi. Devdas passa a freqüentar o salão de Chandramukhi todas as noites, entregando-se a boemia e ao alcoolismo. A cortesã, porém, apaixona-se por Devdas e faz de tudo para cuidar dele. A saúde de Devdas deteriora devido ao alcoolismo, mas este mantém o vício como uma forma de suicídio lento, punindo-se pela perda de Paro. Devdas encontra dentro de si uma constante comparação entre Paro e Chandramukhi, pelo contraste entre as duas mulheres e a dúvida de seu amor por elas.
Sabendo que vai morrer, Devdas retorna a sua cidade para encontrar Paro e firmar sua promessa com ela. Porém, ele morre na porta de sua casa, sozinho. Paro é impedida de ver Devdas pela família do marido, que sabia de seu amor por ele.
O triste final demonstra o poder dos costumes e das famílias indianas do início do século XX, mostrando que a responsabilidade e comprometimento de uma pessoa com a família iam além de um final feliz ou de uma história de amor. A mulher indiana do início do século XX não tinha força de voz ou ação dentro da família e o amor não era visto como algo importante para o casamento.
Mas por que estou escrevendo isso? Porque no ano passado, o diretor indiano Anurag Kashyap criou uma versão fantástica para Devdas. A versão moderna para a história também originou um nome moderno – DevD (apelido de Devdas). Anurag utilizou atores pouco conhecidos e cenas extremamente fortes para o público indiano, resultando no único filme de 2009 a ser classificado como 5 estrelas pela crítica de Bolywood. E se vocês pensam que o final do filme foi triste, estão bem enganados.
Apesar de DevD não se casar com Paro na versão de 2009 (assim como em todas as outras versões), o personagem principal ganha uma liberdade para tomar decisões de sua própria vida que o torna mais forte e mais consciente de seus sentimentos. DevD e Devdas, na verdade, tornam-se duas pessoas completamente diferentes: enquanto Devdas morre incerto de seu amor por Paro ou Chandramukhi, DevD não só sobrevive, como dá a volta por cima de sua vida na boemia, enfrenta suas fraquezas e reconhece que seu amor por Paro, na realidade, nunca existiu. Enquanto Devdas busca a piedade no alcoolismo, DevD encontra a coragem para mudar e descobre que o caminho para ser feliz ainda existe.
Mas a mensagem mais importante que o filme DevD conseguiu transmitir é a de que o amor não necessariamente nasce de uma relação em longo prazo, e nem deve ser mantido somente por causa disso; mas, com certeza, o amor cresce do respeito e da dedicação entre duas pessoas, não importa quanto tempo dure...
Moral da história: dia 12 está chegando e muitos apaixonados já estão na expectativa do grande dia. Então aproveitemos a data para nos dedicarmos ás pessoas que amamos, no sentido de as conhecermos mais, respeitarmos mais e de descobrir que o melhor amor é aquele que nos deixa livres de dúvidas, de regras, de apreensões. Porque o verdadeiro amor não tem barreiras e, muitas vezes, nem é eterno... mas é amor.