terça-feira, 14 de julho de 2009

Isso é bom?

Creio que não existem coisas boas ou coisas ruins. Existem coisas boas ou ruins para nós apenas; tudo depende da nossa criação, de nosso hábitos e, principalmente, da nossa capacidade em estarmos abertos a novas experiências. E percebo que, para as pessoas presas a rotina do dia-a-dia, um almoço num restaurante diferente é ruim, o jiló se torna ruim, a carne mal passada se torna ruim, o refrigerante que não é Pepsi ou Coca-cola não é bom. Quem se limita aos próprios hábitos não se atreve a experimentar um passeio diferente, uma viagem a um lugar diferente, uma refeição em horário diferente, um filme ucraniano quem sabe.
Para sair do Brasil e viver na Índia, um pais com hábitos e culturas completamente diferentes, é preciso ultrapassar a barreira do “bom e ruim pra mim” e abraçar o horizonte do “tudo é experiência”. Afinal, o que é ruim para mim pode ser o que há de melhor para outra pessoa. E do que adiantaria cruzar milhares de quilômetros para chegar aqui e não aproveitar nada do que a Índia tem a me oferecer? Nunca gostei de comida apimentada, mas eles adoram. Então deve ter alguma coisa boa nisso, por que não experimentar? Usar roupas coloridas e brilhosas? De acordo com a minha criação, isso é brega, cafona. Mas aqui é moda. Por que não tentar? Quem sabe me sinto mais confortável com essas roupas do que com as que eu usava anteriormente e nem sabia que me incomodavam tanto... Comer com as mãos ao invés de usar talheres, ficar de baixo de uma chuva e me divertir, viajar para os Himalayas com um motorista louco que dirige a 80 km/h numa estradinha a beira de penhascos, dormir sem ar condicionado num clima de 36º C... Para fazer tudo isso não é necessário coragem. Muito menos chega a ser irresponsabilidade ou preguiça. É preciso simplesmente se libertar dos antigos costumes, dos pré-conceitos bobos que criamos não sei por que, e aproveitar o que vier. Em todos os sentidos da palavra. Aproveitar de experimentar, de se divertir, de extravasar. E quem disse que isso não é bom?

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Só comigo acontece essas coisas...

Numa bela noite de calor, lá estava eu no meu quartinho toda refrescada pelo ar condicionado, já pronta para dormir, quando, de repente, a luz acaba. “&^*#@$!!!!” foi a primeira coisa em que pensei. Há duas semanas que a Companhia de Energias Elétricas de Delhi vem brincando de liga-desliga/desliga-liga, nos deixando sem luz a qualquer hora do dia ou da noite, e por tempo que varia de 15 minutos a infinito. E quando a energia cai à noite não há santo que consiga dormir; o jeito é esperar a bondade divina para que o ar condicionado volte a funcionar e o quarto fique fresquinho o suficiente para que eu não precise molhar o colchão para ter uma boa noite de sono. Pois bem, voltando ao assunto. Como já não ia dormir mesmo, resolvi ir para a varanda do meu ape para me refrescar. Nisso, reparo que, não somente todos os outros prédios da vizinhança tinham energia elétrica, como também os outros apartamentos do prédio em que moro! Ai apelei. Não acredito que a CEB de Delhi ia ser tão sacana comigo a ponto de corta única e somente a energia do MEU apartamento!
Desci as escadas e fui ao apartamento do térreo falar como o “landlord” (o dono do prédio e para quem o aluguel devemos pagar), e perguntei se a chave do meu ape tinha caído (pois já aconteceu isso algumas vezes devido à quantidade de energia que o ar condicionado puxa), mas estava tudo normal. No prédio em que moro, somente eu tenho ar condicionado, o que implica que, quando a energia cai só no prédio e em mais lugar nenhum, a culpa é do ar condicionado.
Bom, se não era a chave que tinha caído, o que poderia ser, então? Voltei para o meu apartamento, e quando estava entrando, senti um cheiro forte de queimado vindo da cozinha. Quando abri a porta, descobri a razão do meu problema: uma das tomadas havia explodido (como, eu não sei), e levou junto toda a fiação elétrica da casa. As únicas coisas que funcionavam eram o interruptor da luz da cozinha e a tomada da geladeira, mais nada (que provavelmente vinham de outra fiação, ou não estariam funcionando também). Ate o meu forninho elétrico foi destruído no incidente.
Nessa altura do campeonato já era quase meia-noite e, logicamente, não havia eletricista disponível para ir consertar a bagunça. O jeito foi improvisar... E improvisei indo dormir num hotel. Pelo menos aqui perto de casa tem uns 5 hotéis e, devido à concorrência entre eles, os quartos são bons e os preços não tão ruins. Aproveitei ate para degustar o café da manha (tava pagando mesmo...), mas dormi que nem um bebe e só voltei para casa para buscar meu computador e fui trabalhar.
Agora estou aqui, escrevendo este texto. Hoje de manha, antes de vir para o ICGEB, eu pedi para o dono do prédio chamar um eletricista durante o dia já para ir consertando o estrago. Estou aqui pensando qual a surpresa que terei a noite ao chegar em casa... Será uma surpresa boa ou ruim? De qualquer forma, hoje é sexta-feira, amanha não terei que trabalhar, então o pior que pode acontecer é se a tomada da geladeira resolver tomar partido na revolução e também queimar... ‘Bate na madeira’...