segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Com a pulga na cueca...



Sempre me considerei uma pessoa forte, principalmente no sentido “saúde” da palavra. Não sou de pegar gripes com freqüência, muito menos infecções sazonais, intoxicação alimentar, diarréia, etc etc etc. Porem, nos últimos 16 meses já peguei duas infecções “virais” (entre aspas porque nem os médicos estavam certos disso) e uma intoxicação alimentar que me deixaram de cama por bons e longos dias. O pior eh que nunca aconteceu próximo aos dias em que comi comidas sebosas na rua ou fui a mercados populares lotados de pessoas tuberculosas, sujas e mal-cheirosas. O negocio soh acontece quando como comida de hotel 5 estrelas, vou ao Shopping Center, ao cinema, ou fico em casa. Isso me deixou intrigada... Sou a prova viva de que, na Índia, a probabilidade de se encontrar uma bactéria patológica eh a mesma tanto na batata com limão e sal do vendedor da esquina, quanto na batata saute do restaurante italiano grão-fino do centro da cidade. Infecções sazonais não são para a classe pobre da sociedade... bem, pode ate ser, para os nativos... porque para os estrangeiros, não há distinção de raça, nacionalidade, nem salário... as vezes, nem de estação! Sou vacinada contra todos os tipos de doenças possíveis e imagináveis oferecidas no Brasil, mas aqui na Índia sinto-me tão frágil quanto a um bebe recém-nascido.
E ultimamente, evito comer em restaurantes de aparência muito agradável, pois isso indica que o preço do prato eh caro e, consequentemente, a procura eh pequena. Concluindo: a probabilidade de te oferecerem uma comida que esta ‘em banho-maria’ há dias na cozinha do restaurante eh muito maior! Bibocas sebentas as vezes oferecem pratos mais “confiáveis”, já que a rotatividade eh maior, e a comida vem sempre fresquinha (eu quero acreditar que isso eh uma verdade...) Agora, onde o cozinheiro coloca a mão dele entre o preparo de um prato e outro, isso não quero nem saber!
Well, o mais engraçado são as conclusões medicas. Na primeira infecção “viral” que tive, o medico me disse que eu estava com dengue, me passou uns comprimidos para tomar e mandou de volta pra casa:
- Se não melhorar em três dias, volte aqui – disse o tal do medico.
Ta bom, fazer o que? Voltei pra casa... e não eh de ver que três dias depois, la estava eu de volta no consultório dele (obviamente, o remédio não havia dado o efeito desejado):
- A verdade eh que você esta com febre tifóide. Tome estes outros remédios, volte para casa, descanse e, se você não melhorar em três dias, volte ao meu consultório.
O que?! Febre tifóide?! Qual eh?! Como eh que uma dengue se transforma em febre tifóide de uma hora pra outra?! Ok ok, tomarei os remédios... descansarei... te vejo daqui a três dias...
E três dias depois, la estava eu de novo no consultório. Já não sabia mais o que tomar, em quem acreditar, no que fazer:
- Bem, você estava com uma infecção viral. Isso eh infecção comum. Por causa do calor do verão, muita gente pega. Tome estes comprimidos que em dois dias você ficara boa.
... por que ele não tirou essa conclusao logo no primeiro dia em que fui la? Já que a infecção eh freqüente no verão (e estávamos no verão), não era grave e facilmente curável, por que não me ofereceu os benditos comprimidos logo na primeira consulta?! Acho que acabei me curando de raiva, soh para não ter que ir ao consultório dele novamente...
Bom, na segunda vez em que cai de cama, o medico foi mais direto. já foi dizendo de primeira que era infecção viral, me mandou fazer uns exames de sangue para confirmar, e receitou uma cambada de remédios que me curaram em quatro dias. Que tipo de vírus eu tive? Não sei dizer... e creio que nem o medico, pois quando perguntei, ele fez alguns rodeios e não respondeu a pergunta. Mas o que importa eh que estou saudável e curada.
Mas ainda continuo enquasquetada com essas infecções... o jeito eh continuar vivendo minha vidinha de sempre, com a mesma rotina, nos mesmos lugares, as mesmas pessoas... e rezar para que esses vírus mortais e bactérias sanguinolentas mantenham-se longe de mim! Sarava!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Marcas do passado

Estou retornando apos um mes de ferias no Brasil. Um mês onde pude ver novamente um céu azulado, arvores verdes, curtir clube, piscina, tomar banho de sol... hábitos que aqui na Índia são raridades. Eh engraçado como meu ponto de vista mudou para certas coisas: o transito de Brasilia, de repente, não era tão caótico assim. Nem mesmo aquele sentimento de expelir um xingamento bem cabeludo para o motorista apressadinho do lado não fluiu de minha boca. O meu carro estava andando - sem engarrafamentos, sem vaca, sem oto - então nada mais me interessava. As ruas pareciam tão vazias, tão desertas... Nem a multidão que diariamente se vê na rodoviária e no metro conseguiram me abalar. E quando eu via um lugar com gente, logo depois vinha o comentário de alguém: “Aqui esta muito cheio!”, ou “Como o Shopping esta lotado hoje!”... pois eh, na Índia eh impossível ficar soh, mas eu havia esquecido que isso eh possível, e muito possível, no Brasil.
Chuva... como choveu nessa Brasília... e em todo o Brasil! A estação chuvosa em Nova Deli eh durante o verão, mas mesmo assim não chove um terço do que eu vi nesse ultimo mês em Brasília. Meus cabelos ficaram tão macios quanto as peles de carneiros criados pelas freiras cegas do norte da Suíça mas, em compensação, ficaram tão rebeldes quanto os cabelos da Maria Betania em dias de ventania... e da-le escovinha!
Comer com garfo e faca não foi tão estanho assim, alias, eu já estava sentindo falta de usar talheres durante as refeicoes principais do dia. Um mês sem ver minhas mãos amareladas de molho curry foi muito bem vindo! Sem contar na saudade que eu estava de comer pão-de-queijo, pamonha, curau, cuscuz, a típica dupla arroz-com-feijao, coxinha, empadinha, pastel e outras iguarias que não vou descrever, mas que estavam todas deliciosas! Yummy! E a pimentinha deu um descanco ao meu surrado estomago...
Matei saudades de usar blusas de alcinha, shortinhos, biquínis, vestidos acima do joelho... mas, consequentemente, vi expostos gordurinhas, celulites, flacidez que antes estavam camufladas nas roupas mais larginhas, agora duplicavam de tamanho e gravidade nas roupas mais curtinhas... isso eu não gostei... melhor voltar as roupas larginhas...
Casas limpinhas, cheirosinhas, organizadas. Isso eh muuuuuiiiitoooo raro em residências indianas. A não ser que o morador seja gringo, tudo eh uma bagunça mesmo. Alem de a casa ser organizadamente desorganizada, a poeira eh convidado de honra. Rever casas no Brasil foi como estar no Paraíso! Existe vida após a poeira! Acho que fiquei ate relapsa em termos de limpeza, pois enquanto minha mãe se descabelava para limpar a casa achando-a extremamente suja, eu me deliciava de contentamento por ver que os moveis não ficavam cobertos com uma camada de poeira preta...qualquer limpeza mais-ou-menos estava bom, qualquer cantinho menos sujo se tornou apto para sobrevivência. Aff... nem queiram imaginar em que estado encontrei minha casinha na Índia, após um mês de viagem...
Minha casinha já esta razoavelmente limpa agora, minhas mãos já estao amarelas de novo, a pimentinha voltou a surrar o estomago, as roupas larginhas ja escondem as partes “revelantes”, alem da gordurinha. A chuva não castiga mais, ate porque não tem chuva por aqui, e eu continuo não ligando para o transito, por mais caótico que seja...
Ah! Feliz 2009! Onde quer que você esteja...